Conar: processos são julgados, em média, em 90 dias

Conar: processos são julgados, em média, em 90 dias

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) julgou 366 processos em 2011 e instaurou 325 representações movidas pelo próprio órgão, por consumidores, autoridades ou anunciantes – não é incomum o número de julgamentos ser maior, pois muitos processos instaurados em um ano só são discutidos no exercício seguinte. Apesar de casos de grande repercussão, como os de Gisele Bündchen nos comerciais de Hope, dos Pôneis Malditos da Nissan e das Mulheres Evoluídas de Bombril – todos arquivados sem alterações nas campanhas – darem a impressão de um ano de mais trabalho para o Conar, o total de processos abertos em 2011 foi o menor desde 2006. Também caiu o número de julgamentos, que totalizaram 402 em 2010. No ano passado, o setor campeão de punições foi o de telefonia.

O diretor de relações institucionais da Rede Globo, Gilberto Leifert, preside o Conar desde 1998 e está no sétimo mandato consecutivo, que termina no final deste ano. Entre os principais feitos de 2011, ele lista a edição das normas para publicidade com apelos de sustentabilidade e a instalação da 8º Câmara do Conselho de Ética, com sede em Recife. Seus planos para 2012 incluem a ampliação no número de associados e a renovação do site do Conar, para incentivar a interação com a sociedade. Leia, a seguir, a entrevista concedida por Leifert ao Meio & Mensagemsobre as atividades do órgão.

MEIO & MENSAGEM ›› Para o senhor, quais são os destaques da atuação do Conar ao longo de 2011?

GILBERTO LEIFERT ›› O ponto de destaque foi a edição das novas normas para publicidade com apelos de sustentabilidade. As normas originais, tão antigas quanto o próprio Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, foram perfeitamente úteis por mais de trinta anos mas sentimos que, com o crescimento da sensibilidade das pessoas para com uma questão tão relevante para o futuro de todos, era preciso detalhar as normas, garantindo que apelos de sustentabilidade não sejam de forma alguma banalizados. Não havia, portanto, um problema agudo a ser enfrentado mas achamos conveniente dar-lhe relevância e demonstrar a preocupação ética com o tema.

Outro momento importante foi a instalação da 8ª Câmara do Conselho de Ética do Conar, com sede em Recife, reconhecendo a pujança da economia do Nordeste, que se reflete na publicidade que se faz na região. No mais, seguimos nosso trabalho de defesa da liberdade de expressão comercial, além de aprimoramentos pontuais na tramitação dos processos éticos.

M&M ›› No ano passado, houve grande repercussão pública de casos como os da Nissan e das cervejas Proibida e Devassa. A que fatores o senhor atribui a maior visibilidade dos julgamentos do Conar?

LEIFERT ›› Ao conhecimento cada vez maior que a sociedade tem do Conar e dos seus canais de comunicação. Vivemos uma época na qual, felizmente, as pessoas se sentem à vontade para expor as suas opiniões e exercer os seus direitos. A publicidade criou e aprimorou uma forma bastante simples e eficiente para que a sociedade reclame da atividade quando desejar; logo, o que vemos, é apenas a materialização de um trabalho cultivado por todo o mercado publicitário há mais de trinta anos e o resultado da transparência (site, boletins etc.) perseguida obstinadamente.

M&M ›› De maneira geral, o público desconhece a maneira como trabalha o Conar. O fato fica mais evidente nas redes sociais quando o simples anúncio de abertura de processo gera críticas de “censura”, como no caso dos Pôneis Malditos. Como o Conar trabalha o entendimento público de sua atuação?

LEIFERT ›› Fazemos a nossa parte: realizamos campanhas publicitárias regulares, disponibilizamos o site oficial e publicamos boletins e livros que dão total e completa visibilidade tanto aos casos julgados no Conselho de Ética quanto as ideias que defendemos. Mantemos interlocução permanente com a imprensa, com as escolas de comunicação, entidades representativas dos consumidores e sempre participamos dos debates sobre a liberdade de expressão comercial, inclusive no âmbito dos Três Poderes. Quanto às redes sociais, como elas transigem diante do anonimato, pode haver desvio do foco das análises e observações críticas, até construtivas e aproveitadas.

Para ler a entrevista completa clique aqui.

Sobre o autor

Relações Públicas pela UNESP, apaixonado por comunicação e novidades. Já atuou em assessoria de imprensa e atualmente trabalha com marketing educacional na Editora Saraiva.